O pai de um dos adolescentes investigados pela morte do cachorro Orelha afirmou que a família também espera justiça e que o filho deve responder caso a culpa seja comprovada.
O que aconteceu
Pai de um dos investigados diz que a família não passará a mão na cabeça do filho. Segundo ele, a educação dada ao adolescente não foi de acobertar erros. O pai afirmou que, se for provado que o filho cometeu alguma irregularidade, ele terá que responder pelos atos.
Família diz que ainda não há provas contra o adolescente. O pai declarou que, até agora, houve apenas acusações e que nenhuma prova concreta foi apresentada. “Não apresentaram absolutamente nada”, disse o homem hoje, em entrevista ao “Fantástico” (Globo), acrescentando que a família quer justiça “tanto quanto as outras pessoas”.
Defesa dos adolescentes pede rapidez na coleta de depoimentos. A reportagem do “Fantástico” também entrevistou o advogado Rodrigo Duarte Silva, que afirmou que espera que os depoimentos sejam colhidos quanto antes para que a verdade venha à tona. Segundo ele, adolescentes sem culpa devem ser publicamente inocentados, enquanto eventuais responsabilidades devem ser apuradas.
Moradores relataram que Orelha era conhecido e cuidado pela comunidade. Moradores da Praia Brava, no norte de Florianópolis, disseram que o cachorro era “bem popular” na região. A consultora de vendas Andrea Macedo afirmou ao Fantástico que a comunidade cuidava do animal no dia a dia
Animal tinha ferimentos nacabeça e no olho, contou veterinário. O profissional que atendeu Orelha disse que ele apresentava ferimentos nessas regiões. O cachorro foi levado à clínica por uma moradora que o encontrou agonizando embaixo de um carro.
Polícia diz não haver imagens nem testemunhas do momento exato. Delegados ligados à investigação afirmaram que não há imagens ou testemunhas diretas da agressão, mas que existem indícios convergentes que levaram à suspeita do envolvimento dos adolescentes.
Relembre o caso
O cachorro Orelha morreu no início de janeiro após sofrer agressões na região da cabeça. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, as lesões foram tão graves que o animal precisou passar por eutanásia durante atendimento veterinário.
A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro. Três adolescentes são investigados por supostamente agredirem o animal de forma violenta, com a intenção de causar sua morte. Inicialmente, quatro jovens eram suspeitos, mas um deles comprovou não ter relação com o episódio.
No dia 26 de janeiro, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Ninguém foi preso. Dois adolescentes estavam nos Estados Unidos e tiveram celulares e roupas apreendidos ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis. A defesa informou que a volta foi articulada com a polícia.
Os adolescentes foram intimados a prestar depoimento. Dois inquéritos foram abertos: um para apurar a agressão ao animal e outro sobre coação de testemunhas. O inquérito da coação foi encerrado, com três adultos indiciados — dois empresários e um advogado, parentes dos adolescentes.
Os nomes dos investigados não foram divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso haja responsabilização, as medidas aplicáveis são socioeducativas, como advertência, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação por até três anos.


